sábado, 22 de outubro de 2011

4o Vinho mais Pontuado do Mundo

4º Vinho mais Pontuado do Mundo

Greenock Creek Shiraz Roennfeldt Road

Austrália

A Austrália é famosa pelos vinhos da uva Shiraz, que muitos consideram com qualidade equivalente aos famosos vinhos do norte do Rhone na França.

Este shiraz teve uma média de 98 pontos nas últimas dez safras avaliadas pelo Robert Parker, tendo obtido uma nota final igual a 96.5, por ter sido penalizado, segundo o meu critério, com 1.5 pontos pelo fato de não ter nenhuma safra avaliada pela Wine Spectator.

O vinho é produzido na região de Barossa e esta é a única informação relevante disponível sobre o vinho. Ele é produzido por uma vinícola “boutique” de pequena produção, sem página na Internet (ao menos que eu tenha conseguido encontrar).

Ou seja, um vinho superpontuado, com preço na faixa de U$ 400 (no exterior), que deve ser muito difícil de encontrar.

Colocarei como missão, na minha próxima viagem para este longínquo país, encontrar esta preciosidade.

Se você encontrar antes, não esqueça de comprar uma garrafa para mim e mandar a conta.

Abraço a todos,

Brito.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Piemonte

Piemonte

Localizado no noroeste da Itália, o Piemonte é (rivalizando com a Toscana) a região vinícola mais importante da Itália e uma das mais importantes do mundo.

Os melhores vinhedos do Piemonte estão em torno da cidade de Alba, onde o solo é de argila, calcário e areia. Como mostra a figura que ilustra este texto, há várias regiões DOC e DOCG, mas as duas de maior destaque são, indiscutivelmente, Barolo e Barbaresco. Estes vinhos são feitos com a uva Nebbiolo, a mais importante da região.

Outras uvas tintas importantes são a Barbera, muito plantada nas províncias de Alba e Asti, e a Dolcetto.

Entre as uvas brancas, o destaque vai para a uva Moscato, utilizada principalmente para produzir espumantes e frizantes (principalmente em Asti). Outras uvas brancas são a Cortese, Gavi, Arneis e Favorita.

Há também experiências com Pinot Noir, Syrah, Sauvignon Blanc, Cabernet Sauvignon e Chardonnay, sendo que esta última se desenvolveu muito bem na região, produzindo vinhos interessantes.

As videiras são plantadas em altitudes que variam de 150 a 400 metros, com as encostas voltadas para o sul normalmente dedicadas à Nebbiolo.

A Nebbiolo é uma uva poderosa, com muita estrutura e taninos, que resulta em vinhos de excelente complexidade, com aromas florais, frutados, de trufas e alcatrão. A uva possui também acidez elevada. Ou seja, a Nebbiolo é “muito tudo”. Os vinhos mais conhecidos feitos com esta uva são: Barolo, Barbaresco, Gattinara, Nebbiolo d’Alba e alguns vinhos com denominação Langhe.

A Barbera é a uva mais plantada no Piemonte, produzindo um vinho, em geral, mais rústico. A uva possui acidez muito elevada e, nos melhores produtores, resulta em vinhos com bom corpo, mas com taninos não tão marcantes quanto os da uva Nebbiolo. Os vinhos mais conhecidos feitos com a uva Barbera são: Barbera d’Alba e Barbera d’Asti. Os aromas esperados aqui são frutas pretas, alcaçuz, chocolate, figo e cereja.

Por fim, a Dolcetto produz um vinho, em geral, simples e frutado, com menos acidez e taninos que Barbera e Nebbiolo. Os aromas esperados são: alcaçuz, amêndoas, frutados, com toques de chocolate e condimentos.

Os vinhos feitos de Barbera e Dolcetto eram, em geral, vinhos para o dia a dia, sem muita sofisticação, mas hoje há alguns produtores conseguindo resultados muito bons e preços quase tão elevados quanto os Barolos e Barbarescos.

Os vinhos Barolo e Barbaresco são vinhos de grande estrutura, podendo ser guardados por períodos de 10 a 20 anos. Por lei, ambos precisam amadurecer antes de ser comercializados, com parte do tempo em madeira. O Barolo amadurece por mais tempo e fica, em geral, mais tempo na madeira, pois é um vinho mais robusto que o Barbaresco.

Para escolher os principais produtores do Piemonte, ao invés de recorrer às pontuações médias de seus vinhos, como normalmente faço, decidi utilizar os dados do principal guia de vinhos da Itália: o Gambero Rosso, que classifica os vinhos a cada ano e os produtores pelo resultado médio obtido ao longo dos anos (em número de Tre Bicchieri obtidos). Os grandes destaques do Piemonte são:

1) Gaja: este é o produtor mais premiado do Piemonte e da Itália, único com 4 estrelas, pontuação máxima do Gambero Rosso, na Itália. A vinícola está na pequena vila de Barbaresco e possui cerca de 90 hectares de vinhas, produzindo em torno de 300.000 garrafas por ano. Além dos Barbarescos, seus vinhos Langhes são premiadíssimos. Quem importa para o Brasil é a Mistral e a faixa de preço vai de U$ 123 a U$ 1.000.

2) La Spinetta: localizada em Castagnole delle Lanze, a La Spinetta possui 3 estrelas do Gambero Rosso. Sua área plantada é em torno de 100 hectares e a produção anual em torno de 450.000 garrafas. Os vinhos são importados para o Brasil pela Vinci e são compostos de Barolos, Barbarescos, Barberas, Moscatos, Monferratos e um Sauvignon Blanc. A faixa de preço é U$ 74 a U$ 380.

3) Elio Altare: com 2 estrelas do Gambero Rosso, esta é a terceira vinícola mais premiada do Piemonte. Situada em La Morra, seus vinhos (Barolo, Langue, Barbera e Dolcetto) são importados para o Brasil pela Vinci. A faixa de preço é de U$ 50 a U$ 320.

Além dos três acima, também têm grande destaque os seguintes produtores (todos com uma estrela do Gambero Rosso).

1) Clerico – Importado pela Vinci – U$ 45 a U$ 255

2) Giacomo Conterno – Importado pela Expand – R$ 750

3) Paolo Scavino – Importado pela Vinci – U$ 64 a U$ 300

4) Roberto Voerzio – Importado pela World Wine – R$ 90 a R$ 1.500

5) Aldo Conterno – Importado pela Cellar – R$ 75 a R$ 715

6) Ceretto Bricco Rocche Bricco Asili – R$ 95 a R$ 880

7) Rocche dei Manzoni – Disponível em www.wine.com.br – R$ 155

8) Sandrone – Importado pela Mistral – U$ 46 a U$ 292

9) Elio Grassio – Disponível em www.wine.com.br – R$ 415 a R$ 575

10) Bruno Rocca – Importado pela World Wine – R$ 99 a R$ 498

11) Vietti – Importado pela Mistral – U$ 45 a U$ 600

Finalmente, algumas vinícolas de destaque (1 estrela), para as quais não consegui encontrar o importador no Brasil, são: La Barbatella, Corregia, Conterno Fantino e Ca’Viola.

Vamos agora ao mais importante, as dicas de vinhos do Piemonte com boa relação custo/benefício disponíveis no Brasil (em ordem crescente de preço):

1) Marziano Abbona Barbera d'Alba Rinaldi 08 (Mistral) – 90 pts – U$ 50

2) Marziano Abbona Dogliani Superiore Papà Celso 06 ou 08 (Mistral) – 90 pts – U$ 53

3) Aldo e Ricardo Seghesio Langhe Nebbiolo 06 (Vinci) – 90 pts – U$ 54

4) Vietti Langhe Nebbiolo Perbacco 06 ou 07 (Mistral) – 90 pts – U$ 56.

5) Marziano Abbona Nebbiolo d'Alba Bricco Barone 07 (Mistral) – 90 pts – U$ 60

6) La Spinetta Langhe Nebbiolo 2007 (Vinci) – 91 pts – U$ 78

7) Domenico Clerico Barbera D'Alba Trevigne 05 (Vinci) – 91 pts – U$ 80

8) Vietti Barbera d'Alba Scarrone 07 (Mistral) – 93 pts – U$ 100

9) Paitin Barbaresco Sori Paitin 06 (Mistral) – 91 pts – U$ 107

10) Vietti Barbera d'Asti La Crena 06 (Mistral) – 93 pts – U$ 113

11) Antoniolo Gattinara San Francesco 04 (Mistral) – 92 pts – U$ 130

12) Vietti Barbera d'Alba Scarrone Vigna Vecchia 05/06 ou 07 (Mistral) – 93/94 pts – U$ 130/140

13) La Spinetta Barbera D'Alba Gallina 2007 (Vinci) – 92 pts – U$ 137

14) Vietti Barolo Castiglione 05 ou 06 (Mistral) – 92 pts – U$ 145

15) Bruno Rocca Barbaresco 05 (World Wine) – 94 pts – R$ 271

16) Aldo e Ricardo Seghesio Barolo La Villa 05 (Vinci) – 92 pts – U$ 149

17) Moccagatta Barbaresco Bric Balin 04 (Vinci) – 93 pts - U$ 165

18) Bruno Rocca Barbaresco Rabaja 2005 (World Wine) – 95 pts – R$ 450

19) Bruno Rocca Barbaresco Rabaja 2004 (World Wine) – 97 pts – R$ 498

20) Domenico Clerico Barolo Pajana 04 (Vinci) – 95 pts – U$ 255

21) Luciano Sandrone Barolo Le Vigne 06 (Mistral) – 96 pts – U$ 269

22) Luciano Sandrone Barolo Cannubi Boschis 05/06 (Mistral) – 95/97 pts – U$ 285

23) Elio Altare Barolo Arborina 04 (Vinci) – 95 pts – U$ 300

24) Vietti Barolo Rocche 06 (Mistral) – 97 pts – U$ 339

25) Bruno Giacosa Barbaresco Rabajá 04 (Mistral) – 97 pts – U$ 350

26) Roberto Voerzio Barolo La Serra 2000 (World Wine) – 98 pts – R$ 1.500

Boas degustações a todos.

Abraços,

Brito.

sábado, 17 de setembro de 2011

5o Vinho mais Pontuado do Mundo

5o Vinho mais Pontuado do Mundo

Abreu - Cabernet Sauvignon Thorevilos

A Abreu é uma pequena vinícola localizada no Napa Valley (Califórnia, Estados Unidos) e David Abreu é considerado um gênio dos vinhos, mas só comercializou seu primeiro vinho em 1987!

O vinho mais pontuado da Abreu, o Thorevilos, é proveniente de videiras plantadas nas colinas lestes de Santa Helena, no Napa Valley, com as uvas Merlot, Cabernet Franc e Petit Verdot plantadas mais na base das colinas e a Cabernet Sauvignon na parte mais íngreme.

O vinho é um corte de Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc e Petit Verdot (ou seja, um corte típico da região de Bordeaux, na França). O vinho passa por dois anos de maturação em carvalho, com barricas 100% novas de carvalho francês, e mais dois anos e meio de envelhecimento em garrafa antes de ser comercializado.

A média da avaliação do Parker para as últimas safras foi 98 (98 de média!!!). Como ele não foi avaliado pela Wine Spectator, no meu critério, sofreu uma penalização de 1.5 pontos e obteve uma nota final de 96.5 pontos. Sem o critério de penalização que eu adotei ele teria obtido a posição de 2º melhor vinho do mundo!!!

Infelizmente, este é um vinho muito difícil de ser encontrado. Entrei em contato com a vinícola quando visitei o Napa Valley e me informaram que para conseguir comprar é preciso se cadastrar em uma lista de espera, pois a produção já está sempre antecipadamente vendida!

Logo, se você conseguir esbarrar em um vinho deste, não hesite em comprar (compra um para mim também!!!).

Eu ainda não consegui encontrá-lo.

Abraço a todos,

Brito.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

6o Vinho Mais Pontuado do Mundo - E. Guigal Côte-Rôtie La Landonne

E. Guigal Côte-Rôtie La Landonne

6º Vinho Mais Pontuado do Mundo

A vinícola E. Guigal, que já apareceu na descrição do 7º vinho mais pontuado do mundo (Côte-Rotie La Turque), aparece novamente com o 6º vinho mais pontuado do mundo, um feito incrível entre as grandes vinícolas do planeta.

Como já dissemos antes, embora produza vinhos de quase todas as regiões do Rhône, é em Côte-Rôtie que seus vinhos encontram o máximo de qualidade e prestígio.

O La Landonne é o vinho mais pontuado da vinícola, produzido com 100% de uvas Syrah.

A fermentação é feita em aço inox e o período de maturação em carvalho é longo, em torno de 42 meses em barricas novas de carvalho francês.

As videiras têm idade média de 25 anos e a produtividade se limita a 35-38 hl/hectare.

O potencial de envelhecimento do vinho passa fácil de 30 anos. Logo, não compre um La Landonne de safra nova para tomar imediatamente, pois o vinho irá evoluir bastante com o tempo.

As últimas dez safras avaliadas do La Landonne mereceram uma nota média de 96.2 pontos do Robert Parker e 96.5 pontos da Wine Spectator, resultando em uma média geral de 96.35 pontos: excepcional!

Os vinhos do Guigal são importados para o Brasil pela Expand, mas não consegui obter o preço praticado no Brasil para este vinho em particular. Uma estimativa razoável, baseado no preço praticado na França e na margem usualmente praticada pelas importadoras, é de algo em torno de R$ 1.500/garrafa no Brasil.

Em 2010, quando visitei a vinícola, tive a oportunidade de degustar a safra 2006 deste vinho. Maravilhado pela qualidade que encontrei, não resisti e comprei uma garrafa para a minha adega, com previsão para ser tomado em 2023.

Resumindo, lembre-se deste nome: E. Guigal é a vinícola da região de Côte-Rôtie.

Grande abraço a todos,

Brito.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Guigal Côte-Rôtie La Turque - 7o vinho mais pontuado do mundo

E. Guigal Côte-Rôtie La Turque

7º Vinho Mais Pontuado do Mundo

A vinícola E. Guigal, fundada em 1946, localizada na cidade de Ampuis, cidade do norte do Rhône, é uma das mais importantes da região do Rhône, na França.

Em Ampuis são vinificadas e maturadas as apelações Côte-Rôtie, Condrieu, Hermitage, Saint-Joseph e Crozes-Hermitage, todas do norte, além de importantes apelações do sul, como Châteauneuf-du-Pape, Gigondas, Tavel e Côtes-du-Rhône.

Embora produza vinhos de quase todas as regiões do Rhône, é em Côte-Rôtie que seus vinhos encontram o máximo de qualidade e prestígio.

A região de Côte-Rôtie possui duas encostas famosas: Côte Brune e Côte Blonde (a Morena e a Loira). Os vinhos provenientes da Côte Brune são, em geral, mais robustos e tânicos, enquanto os vinhos da Côte Blonde são mais elegantes.

As videiras de Guigal em Côte-Rôtie compreendem 215 hectares, localizadas nas regiões de Côte Brune e Côte Blonde.

As videiras de hoje estão plantadas em terraços construídos em íngremes encostas, nos mesmos moldes que os romanos utilizavam há cerca 24 séculos.

Desde 2003 a vinícola decidiu produzir barricas de carvalho para produção de seus grandes vinhos. Um especialista produz 3 barricas por dia, para suprir a demanda de 500 novas barricas por ano.

O La Turque é um dos grandes vinhos produzidos pela E. Guigal em Côte-Rôtie e suas videiras estão localizadas em Côte Brune.

O solo nesta região é de xisto e argila rica em óxido de ferro, o que empresta requinte e força ao vinho.

Tipicamente, o La Turque é produzido com 93% de Syrah e 7% de Viognier.

A idade média das videiras utilizadas no La Turque é de 15 anos, o que pode ser considerado relativamente novo.

A fermentação é feita em aço inox, com maturação por 42 meses em barricas novas de carvalho.

A produtividade, como era de se esperar de um vinho desta magnitude, é baixa: 35 a 37 hectolitros/hectare.

As últimas dez safras avaliadas do La Turque mereceram uma nota média de 95.7 pontos do Robert Parker e 96.7 pontos da Wine Spectator, resultando em uma média geral de 96.2 pontos, o que pode ser considerado como excepcional.

O La Turque é vinho com potencial de guarda de 20 ou mais anos.

Os vinhos do Guigal são importados para o Brasil pela Expand, mas não consegui obter o preço praticado no Brasil para este vinho em particular. Uma estimativa razoável, baseado no preço praticado na França e na margem usualmente praticada pelas importadoras, é de algo em torno de R$ 1.500/garrafa no Brasil.

Em 2010 tive a oportunidade de visitar a Guigal, mas embora nos tenha sido ofertados grandes vinhos produzidos pela vinícola, não tivemos oportunidade de degustar o La Turque.

Assim, fica estabelecido como meta degustar esta preciosidade nos próximos anos.

Grande abraço a todos,

Brito.

sábado, 9 de julho de 2011

Viajando pelo Rhône - Regiões Vinícolas do Norte






VIAJANDO PELO RHÔNE NORTE

Após deixar Lyon, na parte norte do Rhône o que há de mais importante para visitar são as vinícolas localizadas nas famosas regiões de Côte-Rotie e Hermitage.

Saindo de Lyon em direção ao sul, logo após passar por Vienne, deve-se abandonar a auto-estrada (autoroute du soleil) e pegar uma via secundária, a D386, em direção a Ampuis, margeando o rio Rhône.

A primeira região vinícola que encontramos em nossa rota é uma das mais importantes da parte norte do Rhône e da França, a região de Côte-Rôtie, famosa pelas suas videiras da uva Syrah plantadas em terraços construídos em encostas extremamente íngremes (veja figura que ilustra este texto).

Em Ampuis, na região de Côte-Rôtie, está a 1ª parada obrigatória da viagem, a vinícola E. Guigal. A Guigal produz vinhos de praticamente todas as regiões do Rhône (norte e sul). Os vinhos mais famosos da vinícola são todos produzidos a partir de vinhedos específicos e selecionados.

Os grandes nomes de Guigal são: Côte-Rôtie “La Landonne”, Côte-Rôtie “La Turque”, Côte-Rôtie “La Mouline” e Ermitage “Ex-Voto”. Além destes, outros vinhos top da vinícola são: Condrieu “La Dorianne”, Condrieu “Luminescence”, Côte-Rôtie “Château d’Ampuis”, Ermitage “Ex-Voto” branco, Saint-Joseph “Liu dit Saint-Joseph”, Saint-Joseph “Vignes de l’Hospice” e Saint-Joseph “Liu dit Saint-Joseph” branco.

A visita à Guigal vale não só pela oportunidade de conhecer os detalhes da produção de alguns dos grandes vinhos da França, como também pela excelente degustação que é ofertada aos visitantes ao final. Na visita que fizemos em 2010 fomos brindados com quatro vinhos básicos, todos muito bons, da vinícola (Saint-Joseph branco, Condrieu Branco, Hermitage branco e Côte-Rôtie), dois vinhos tops - Saint-Joseph “Vignes de l’Hospice” 2007 (93 pontos do Robert Parker – RP – e Wine Spectator – WS); Côte-Rôtie “Château d’Ampuis” 2004 (90 pontos de RP e 92 pontos da WS) – e dois ícones do mundo dos vinhos: Côte-Rôtie “La Mouline” 2006 (94 pontos do Parker e 95 pontos da Spectator) e Côte-Rôtie “La Landonne” 2006 (97 pontos do Parker e da Wine Spectator). Nosso preferido entre estas maravilhas foi o “La Mouline” 2006, que estava um pouco mais pronto que o “La Landonne”.

Ao sul, outra região de grandes vinhos da parte norte do Rhône é a região de Hermitage, que também planta suas uvas em encostas íngremes, semelhante ao que encontramos na região de Côte-Rôtie.

Saindo de Ampuis, a próxima parada obrigatória é a visita à vinícola de M. Chapoutier, em Tain l’Hermitage. Chapoutier é outra vinícola ícone do Rhône que também produz vinhos de praticamente todas as regiões do norte e do sul. Os grandes vinhos desta vinícola são da região de Hermitage (que muitas vezes aparece grafada como Ermitage nos rótulos dos vinhos): Ermitage “Le Ermite” branco e tinto, Ermitage “Le Meal” branco e tinto, Ermitage “Cuvee de le Oree” blanc, Ermitage “Le Pavillon” e Hermitage “Vin de Paille” blanc. Há vários outros excelentes vinhos produzidos a partir de vinhedos específicos e de grande qualidade.

A visita à vinícola Chapoutier tem uma atração especial (além dos vinhos, obviamente): na sala de recepção da vinícola há um grande painel, incrustado no chão, contendo amostras do solo das mais diversas regiões e vinhedos do Rhône (norte e sul). Uma oportunidade única de comparar e diferenciar a formação do solo destas regiões (veja foto parcial ilustrando este texto). A visita termina, como de praxe, com uma degustação de alto nível. Na visita que fizemos em 2010 fomos brindados com nove vinhos, com destaques para: Condrieu Invitare 2009 (92 pontos do Parker), Hermitage Chante-Alouette 2007 (92 pontos da WS e 92-94 pontos do Parker), Ermitage Le Pavillon 2004 (92 pontos do Parker e 93 da Spectator) e Ermitage Le Meal 2009 (98-100 pontos do Parker), este último retirado das barricas de envelhecimento, pois ainda não estava engarrafado.

Relativamente próximo à Chapoutier, visitamos outra vinícola importante da região (embora não no mesmo nível de Guigal e Chapoutier), Paul Jaboulet, localizada em Chateauneuf-sur-Isere.

A Paul Jaboulet também produz vinhos praticamente de todas as regiões do Rhône. Os grandes vinhos da vinícola são os Hermitage La Chapelle tinto e branco.

Um atrativo especial da vinícola é o fato de suas salas de maturação em barrica se localizarem em uma enorme caverna natural, fazendo com que o passeio entre os barris de carvalho se torne um belo espetáculo.

Na visita que fizemos a Paul Jaboulet em 2010 degustamos oito vinhos de diversas regiões, com destaques para: Hermitage Le Chevalier de Sterimberg 2006 branco (91 pontos do Parker) e Crozes-Hermitage Domaine de Thalabert 2006 (87 pontos do Parker).

Não há grandes atrações turísticas, além do vinho e das vinícolas, neste pedacinho da França. Uma boa cidade para servir de base é Valence, onde vale a pena ir ao restaurante Le 7, pela boa relação custo/benefício.

Abraço a todos,

Brito.

domingo, 3 de julho de 2011

Torbreck Run Rig - 8o Vinho Mais Pontuado do Mundo

8º Vinho Mais Pontuado do Mundo

Torbreck Run Rig

A vinícola Torbreck pode ser considerada um bebê no mundo dos vinhos, pois foi fundada por David Powell em 1994. No entanto, em seus dezessete anos de vida esta vinícola produziu vinhos incríveis, vencedores de muitos prêmios e de altíssima pontuação na crítica mundial.

A vinícola está situada na região de Barossa Valley na Austrália e tem por inspiração os vinhos do norte do Rhône, na França.

A vinícola produz brancos e tintos, mas é nos tintos que está seu destaque.

O Torbreck Run Rig é um vinho muitas vezes comparado aos vinhos da região de Côte Rotie, no norte do Rhône, na França. Seus aromas incluem: framboesa, cassis, fumaça, alcatrão e grafite.

O Run Rig é um varietal de Shiraz, com pequena participação (2 a 5%) de Viognier em sua composição. As uvas provêm de diferentes vinhedos (cinco a seis, tipicamente) da vinícola.

A fermentação é feita em tóneis de carvalho e tanques de concreto. O vinho é maturado em barricas de carvalho francês, novas e velhas, por tipicamente 30 meses.

As últimas dez safras avaliadas pelo Robert Parker ficaram com média de 97.9 pontos, enquanto a média da Wine Spectator foi de 94.86 pontos (para as 7 safras avaliadas). Considerando uma penalidade de 0.5 ponto em função do número de safras avaliadas pela Wine Spectator, minha média final para o vinho foi de 96.15 pontos.

O vinho é importado para o Brasil pela Grand Cru e custa em torno de R$ 1.200,00 a garrafa.

Tive a oportunidade de tomar, junto com grandes amigos, uma garrafa da safra de 2004, que mereceu 99+ pontos do Robert Parker e 94 pontos da Wine Spectator. Vinho de grande personalidade, equilibrado, com aromas de frutas pretas, especiarias, terroso. Esta safra teve 96.5% de Shiraz e 3.5% de Viognier.

Outro vinho da vinícola que merece destaque é o Torbreck The Factor, que também apresenta altíssima qualidade mas custa quase a metade do preço do Run Rig. Tomei a safra 2005 deste vinho, junto com o Run Rig 2004, e ele não ficou muito atrás do seu irmão mais famoso.

Abraço a todos,

Brito.